
Em uma decisão unânime, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) determinou o afastamento do promotor de Justiça Francisco de Jesus, conhecido como “Chico de Jesus”, em um caso que chocou o país. O promotor foi acusado de violência sexual contra uma menor e de outros abusos, incluindo estupro, contra pelo menos duas mulheres, em um contexto de violência doméstica.
A relatora do caso, a juíza federal Cíntia Menezes Brunetta, proferiu um voto contundente, descrevendo os atos do promotor como “gravíssimos” e dirigidos a vítimas vulneráveis. Em um trecho do voto, Brunetta detalhou os abusos sofridos pela menor, incluindo toques e carícias em suas partes íntimas, além de sexo oral forçado e ameaças para silenciá-la.
O promotor já havia sido denunciado ao Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) por estupro e abuso psicológico. Brunetta destacou a gravidade da conduta do promotor, afirmando que ela justifica a penalidade de afastamento.
Brunetta também determinou o envio de cópias do processo à Procuradoria-Geral de Justiça do Piauí, para investigar outros possíveis crimes cometidos pelo promotor. O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, elogiou o trabalho de Brunetta, descrevendo seu voto como “minucioso, detalhado, cuidadoso e brilhante”.
O caso ganhou notoriedade devido às tentativas do promotor de silenciar jornalistas que investigavam as denúncias. Ele chegou a mover ações judiciais contra profissionais da imprensa e usar suas redes sociais para divulgar informações distorcidas.