
O feminicídio segue em alta no Piauí, com o maior número de registros desde o início da série histórica, em 2020. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Justiça estadual recebeu 129 novos processos desse crime em 2023, mais que o dobro dos 59 casos registrados há quatro anos.
O crescimento também se reflete nos julgamentos: em 2024, foram analisados 166 processos de feminicídio, um aumento de 124% em relação a 2020. Além disso, o número de medidas protetivas disparou, com 8.214 ordens concedidas no último ano, evidenciando o agravamento da violência doméstica no estado.
A Secretaria de Segurança Pública aponta que, apenas em 2024, 40 mulheres foram assassinadas por razão de gênero no Piauí, o maior número desde que o crime foi tipificado. Isso representa um feminicídio a cada dez dias e um aumento de 48% em relação a 2023.
Para a delegada Nathalia Figueiredo, titular da Delegacia de Feminicídios, o crime muitas vezes começa com violência psicológica e econômica antes de evoluir para agressões físicas fatais. Especialistas defendem uma resposta integrada, com políticas públicas de proteção, casas-abrigo e qualificação profissional para vítimas. Atualmente, um processo de feminicídio leva, em média, 439 dias para ser julgado no estado.