
O bilionário Elon Musk está no centro de uma polêmica nos Estados Unidos, após doar US$ 10 milhões para a campanha de Brad Schimel, candidato conservador-republicano ao Tribunal Superior de Wisconsin. A ação levanta questionamentos sobre a influência de grandes doadores em eleições judiciais, especialmente quando há interesses comerciais em jogo.
A eleição para o Tribunal Superior de Wisconsin, embora oficialmente “apartidária”, é marcada por uma intensa disputa entre candidatos conservadores e liberais, com recordes de arrecadação de fundos a cada pleito. A proximidade da eleição, marcada para 1º de abril, já registrou um montante de US$ 59 milhões em doações, superando o recorde anterior de US$ 51 milhões em 2023.
O interesse de Elon Musk na eleição se justifica pela ação judicial da Tesla contra o governo de Wisconsin, que negou à empresa licenças para abrir concessionárias no estado. A Tesla busca reverter a decisão na Justiça, e a composição do Tribunal Superior de Wisconsin pode ser decisiva para o resultado do caso.
A doação milionária de Musk levanta debates sobre conflitos de interesse e a influência do dinheiro na política. Especialistas apontam que, embora as doações sejam legais, elas podem gerar questionamentos sobre a imparcialidade dos juízes eleitos. O código de conduta judicial de Wisconsin prevê a possibilidade de juízes se declararem suspeitos em casos de conflito de interesse, mas a decisão final cabe ao próprio magistrado.
Casos anteriores em Wisconsin já demonstraram a dificuldade de garantir a imparcialidade em eleições judiciais. Em 2023, a ministra liberal Janet Protasiewicz recusou-se a se declarar suspeita em um caso de interesse do Partido Democrata, que financiou sua campanha. Da mesma forma, a ministra conservadora Annette Ziegler não se declarou suspeita em um caso envolvendo a Wisconsin Manufacturers & Commerce, um dos principais doadores de sua campanha.