
O advogado Celso Vilardi, responsável pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), negou veementemente, na terça-feira (25/03), as acusações de participação em uma trama golpista. Durante o julgamento da denúncia pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Vilardi argumentou que Bolsonaro, ao contrário do que alega a Procuradoria-Geral da República (PGR), auxiliou na transição do comando das Forças Armadas no final de seu governo.
A sessão, que decidirá se Bolsonaro e outros sete acusados se tornarão réus por tentativa de golpe de Estado, teve início com a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes. Em sua sustentação oral, Vilardi questionou a validade da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, alegando inconsistências em seu depoimento, e cobrou acesso irrestrito às provas do processo.
O advogado reconheceu a gravidade dos atos de 8 de janeiro de 2023, mas argumentou que Bolsonaro não pode ser responsabilizado por eles, já que não participou dos eventos daquele dia e os repudiou publicamente. Para reforçar sua defesa, Vilardi citou uma declaração do ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, que afirmou ter encontrado dificuldades para dialogar com os comandantes militares durante a transição de governo e precisou da intermediação de Bolsonaro.
Além disso, Vilardi criticou a delação de Mauro Cid, alegando que o tenente-coronel descumpriu o acordo ao ter trechos de seu depoimento divulgados pela imprensa. A defesa de Almir Garnier, outro acusado, também questionou a falta de provas concretas de seu envolvimento na suposta trama golpista.
A PGR, por sua vez, reforçou a acusação de que Bolsonaro liderou uma organização criminosa para se manter no poder após o fim de seu mandato, coordenando ataques ao sistema eleitoral e culminando nos atos de 8 de janeiro. A decisão da 1ª Turma do STF sobre o recebimento da denúncia e a abertura de uma ação penal contra Bolsonaro e os demais acusados é aguardada com expectativa.