
A Limpel Serviços Gerais Ltda., uma das mais tradicionais empresas de terceirização de mão de obra do Piauí, protocolou nesta terça-feira (01/04) um pedido de recuperação judicial junto à 4ª Vara Cível de Teresina. O valor atribuído à causa impressiona: R$ 74.324.225,74, refletindo o agravamento da crise financeira que a empresa enfrenta nos últimos anos.
Além desse montante, a empresa também acumula um passivo significativo de tributos federais, que já ultrapassa os R$ 94 milhões inscritos em dívida ativa. A Limpel, fundada em 1994, chegou a empregar cerca de 5 mil colaboradores entre 2015 e 2018, atuando principalmente em contratos de prestação de serviços para órgãos públicos estaduais.
Crise financeira e dificuldades operacionais
Segundo os dados processuais, a crise financeira da empresa teve início em 2017, quando a AGESPISA – sua principal contratante – rescindiu contratos após a concessão dos serviços da estatal para a iniciativa privada. Esse evento resultou em um impacto imediato na receita da Limpel, reduzindo drasticamente seu faturamento e comprometendo sua capacidade de pagamento a fornecedores e funcionários.
O cenário se agravou em 2019, quando uma resolução do Governo do Estado do Piauí determinou uma redução de 25% nos contratos firmados com empresas terceirizadas. Tal medida afetou diretamente a operação da Limpel, que já enfrentava dificuldades para manter seu fluxo de caixa equilibrado.
Bloqueios judiciais e dificuldades na participação em licitações
Outro fator que contribuiu para o colapso financeiro da Limpel foi a extinção, em 2023, de um plano especial de pagamentos trabalhistas aprovado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT22). Com essa extinção, a empresa passou a sofrer bloqueios judiciais recorrentes, que desorganizaram completamente seu fluxo de caixa e inviabilizaram o cumprimento regular de suas obrigações financeiras.
A situação se tornou ainda mais grave devido à impossibilidade de a Limpel obter certidões negativas de débito, documento essencial para a participação em novas licitações públicas. Sem acesso a novas oportunidades de contrato, a empresa viu sua operação ser gradativamente comprometida.
Medidas para recuperação
Diante desse cenário, a Limpel optou pela recuperação judicial como alternativa para reestruturar suas dívidas e garantir a continuidade de suas atividades. A empresa também ressalta a importância da manutenção dos postos de trabalho e da preservação da função social do negócio, além de destacar que uma recuperação bem-sucedida pode beneficiar credores, empregados e a própria administração pública, que depende da prestação de serviços terceirizados.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas em crise financeira negociem suas dívidas sob a supervisão do Judiciário, buscando evitar a falência e preservar a atividade econômica. O deferimento do pedido pelo juízo da 4ª Vara Cível de Teresina será determinante para o futuro da empresa e de seus funcionários.
Impacto econômico e social
A crise da Limpel tem repercussões significativas no mercado de terceirização de serviços no Piauí. A empresa foi responsável, por décadas, pela intermediação de mão de obra para diversas instituições públicas, e sua instabilidade financeira pode afetar tanto a prestação desses serviços quanto a situação de centenas de trabalhadores que ainda dependem da empresa.
Especialistas apontam que a recuperação judicial pode ser uma alternativa viável para que a Limpel reorganize suas finanças e continue operando. No entanto, o sucesso do processo dependerá da aprovação do plano de recuperação e da capacidade da empresa de renegociar seus débitos com credores públicos e privados.
O pedido agora aguarda apreciação do Judiciário, e os próximos passos devem envolver a nomeação de um administrador judicial, a apresentação de um plano detalhado de recuperação e a negociação direta com os credores. Caso a recuperação judicial seja concedida, a empresa terá um prazo para apresentar propostas concretas para equacionar suas dívidas e manter sua operação.