Artigo | Sem categoria

Pesquisas influenciam ambiente eleitoral, mas não definem o voto, avalia Batista Teles

O avanço da desinformação e das tecnologias de manipulação digital tende a produzir um cenário de crescente desconfiança da população em relação às informações que circulam nas redes sociais, inclusive no campo político. Para o fundador do Instituto Amostragem, Batista Teles, imagens falsas, vídeos manipulados e conteúdos gerados por inteligência artificial podem levar parte da …

O avanço da desinformação e das tecnologias de manipulação digital tende a produzir um cenário de crescente desconfiança da população em relação às informações que circulam nas redes sociais, inclusive no campo político. Para o fundador do Instituto Amostragem, Batista Teles, imagens falsas, vídeos manipulados e conteúdos gerados por inteligência artificial podem levar parte da sociedade a um ponto de descrédito generalizado. “Chega um momento em que as pessoas passam a não acreditar mais em nada, diante de tantas montagens e falsificações”, avalia.

No contexto eleitoral, Batista reconhece que as pesquisas exercem algum grau de influência, sobretudo sobre o eleitor indeciso, que muitas vezes demonstra resistência em apoiar candidatos percebidos como derrotados. Ainda assim, ele pondera que estudos já realizados mostram que esse impacto não ocorre na proporção frequentemente imaginada. “Não é verdade que quem aparece na frente nas pesquisas vence automaticamente a eleição. A pesquisa capta um retrato do momento”, explica.

Segundo o pesquisador, a principal influência das pesquisas ocorre mais fortemente sobre o ambiente político do que sobre a decisão direta do eleitor. Resultados positivos tendem a estimular militâncias e equipes de campanha, aumentando o engajamento, mas também exigem cautela. “O excesso de euforia, a sensação de ‘já ganhou’, pode gerar acomodação e até efeitos negativos”, destaca.

Batista Teles ressalta ainda que a adesão a candidaturas bem posicionadas nas pesquisas nem sempre parte do eleitor comum, mas de segmentos mais organizados da militância e de grupos políticos que avaliam estrategicamente o cenário. “A pesquisa influencia, sim, mas está longe de ser um fator determinante isolado. Ela é uma ferramenta de análise, não uma sentença eleitoral”, conclui.