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Fake news e distorções de narrativa desafiam credibilidade das pesquisas, alerta fundador do Instituto Amostragem

A disseminação de fake news e a interpretação distorcida de dados estatísticos têm se tornado um dos principais desafios enfrentados pelos institutos de pesquisa, especialmente em períodos pré-eleitorais. Para o fundador do Instituto Amostragem, Batista Teles, o problema vai além da leitura tendenciosa dos números e envolve, cada vez mais, a falsificação deliberada de pesquisas …

A disseminação de fake news e a interpretação distorcida de dados estatísticos têm se tornado um dos principais desafios enfrentados pelos institutos de pesquisa, especialmente em períodos pré-eleitorais. Para o fundador do Instituto Amostragem, Batista Teles, o problema vai além da leitura tendenciosa dos números e envolve, cada vez mais, a falsificação deliberada de pesquisas e o uso indevido da marca dos institutos.

Segundo ele, embora os números de uma pesquisa sejam objetivos e não possam ser alterados, a narrativa construída em torno dos dados pode variar conforme o interesse de cada veículo ou grupo político. “Às vezes, um crescimento de dois pontos percentuais é tratado como uma disparada, o que não condiz com a realidade estatística”, explica. O cenário se agrava quando gráficos e tabelas são adulterados e divulgados como se fossem oficiais, induzindo parte do público a acreditar em informações falsas.

Batista relata que já houve casos em que pesquisas inexistentes ou com números manipulados circularam nas redes sociais utilizando indevidamente a identidade visual do instituto. Nessas situações, a única alternativa tem sido acionar o setor jurídico e recorrer aos próprios canais de comunicação e à imprensa local para desmentir as informações. “O problema é que, muitas vezes, quando conseguimos esclarecer, o dano já foi feito”, pontua.

O pesquisador também destaca que o ambiente digital ampliou significativamente a volatilidade da opinião pública. Se antes a formação do voto era influenciada principalmente pela família, amigos e círculos sociais próximos, hoje as redes sociais exercem papel central, funcionando como um espaço sem controle efetivo. O avanço de tecnologias como a inteligência artificial e os deepfakes, capazes de criar imagens, vídeos e áudios falsos, torna o cenário ainda mais complexo. “É um desafio não apenas para os institutos de pesquisa, mas para todo o sistema democrático, exigindo atenção permanente e responsabilidade na divulgação da informação”, conclui.