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Ao Poder 360, Joaquim Bezerra afirma que auditoria do Banco Master será analisada pelo CFC

O presidente do CFC afirmou que o caso envolve apenas um processo administrativo, que avaliará conjuntamente a conduta do contador e do auditor responsáveis. “No Banco Master houve duas situações, houve uma abstenção de opinião [em auditoria] e houve momentos em que, durante o parecer do auditor, ele apontou riscos relevantes de crime, de fraude”, explicou ao Poder360.

O presidente do CFC (Conselho Federal de Contabilidade), Joaquim Bezerra Filho, afirmou que a seção paulista do conselho está abrindo procedimento para apurar a atuação de contadores e auditores no caso do Banco Master.

De acordo com Bezerra Filho, o processo vai analisar se os profissionais cumpriram as normas técnicas e o código de ética da profissão. “Nossa função é proteger a sociedade. Não seremos corporativos”, disse em entrevista ao Poder360.

REPRODUÇÃO/YOUTUBE PODER360

O presidente do CFC afirmou que o caso envolve apenas um processo administrativo, que avaliará conjuntamente a conduta do contador e do auditor responsáveis. “No Banco Master houve duas situações, houve uma abstenção de opinião [em auditoria] e houve momentos em que, durante o parecer do auditor, ele apontou riscos relevantes de crime, de fraude”, explicou ao Poder360.

Ele declarou que a auditoria integra um sistema mais amplo de governança e não tem caráter investigativo. Segundo Bezerra Filho, o trabalho do auditor parte da presunção de boa-fé e é realizado com base em escopo previamente definido e por amostragem, a partir das informações fornecidas pela própria empresa. Ele questiona o motivo de esses alertas não terem sido considerados por outros profissionais.

“Agora a pergunta é: por que não leram? Não adianta chegar agora e dizer: ‘Olha, o problema foi a auditoria, o auditor’. Não, ela é parte de um sistema”, afirmou, citando setores como compliance que fazem parte do mesmo conjunto de ações para combater eventuais fraudes.

Bezerra Filho também destacou que o conselho tem limites na apuração de crimes, função que cabe a órgãos como a Polícia Federal, o Banco Central, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e ao Congresso Nacional.

Segundo ele, a atuação do CFC se restringe à verificação do cumprimento das normas profissionais. “Compete a nós analisar se o contador e o auditor exerceram sua profissão dentro do código de ética e das normas técnicas”, disse.

O presidente do CFC afirmou ainda que o conselho já iniciou procedimentos semelhantes no caso das lojas Americanas, que também tiveram fraudes internas. Segundo Bezerra Filho, a entidade busca fortalecer a confiança pública na profissão contábil e ampliar sua atuação no combate a irregularidades, dentro de suas competências institucionais.

Dados apresentados pelo presidente indicam que o Brasil produz mais de 55 mil pareceres de auditoria por ano para empresas e fundos. Ele destacou que o país tem cerca de 32 mil fundos, número superior ao dos Estados Unidos, sendo a maioria de caráter privado.