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Brasil em Avaliação na OCDE: Combate ao Suborno e Adequação à Convenção Antissuborno

O Brasil está prestes a enfrentar uma avaliação crucial na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), focada na legislação e nas ações de combate ao suborno envolvendo agentes públicos.

Rony Torres

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O Brasil está prestes a enfrentar uma avaliação crucial na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), focada na legislação e nas ações de combate ao suborno envolvendo agentes públicos. O Ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, se dirigirá à sede da OCDE, em Paris, em 12 de outubro, para responder pessoalmente às indagações dos países-membros.

Esta será a quarta fase de monitoramento da implementação e efetiva aplicação da Convenção Antissuborno da OCDE pelo Brasil, que assinou o acordo em 1997, junto com outros 43 países. A convenção é um instrumento juridicamente vinculante que se dedica a prevenir e combater o suborno transnacional, abrangendo tanto a responsabilização criminal de pessoas físicas quanto medidas para responsabilizar empresas, bem como questões como lavagem de dinheiro e falsificações contábeis.

Os funcionários do governo brasileiro envolvidos no processo esperam questionamentos sobre pendências identificadas em 2017, no último relatório de avaliação da OCDE sobre o Brasil. Naquela ocasião, destacou-se a falta de treinamento suficiente para que “instituições relevantes” pudessem detectar sinais de lavagem de dinheiro em casos de subornos internacionais, além da fragilidade da proteção de denunciantes.

A nova avaliação do Brasil está sendo conduzida pela secretaria-geral da OCDE e por dois países-membros da organização, seguindo o esquema de “peer review” (revisão por pares). O Reino Unido e a Colômbia lideram o exame das políticas públicas brasileiras, juntamente com o corpo técnico permanente da OCDE.

Em 2017, durante o governo do ex-presidente Michel Temer, o Brasil oficialmente pleiteou sua entrada na OCDE, um grupo que reúne os países mais ricos e com melhores práticas do mundo. Somente no ano passado, durante o governo de Jair Bolsonaro, a candidatura do Brasil foi aceita. Atualmente, o Brasil e outros cinco países – Argentina, Peru, Bulgária, Croácia e Romênia – passam por um longo processo de análise dos requisitos para a admissão no clube, um procedimento que pode levar vários anos.

RONY DE ABREU TORRES

Rony Torres é graduado em Direito pelo Centro Universitário Santo Agostinho. Advogado, Pesquisador do Tribunal Penal Internacional, Diretor jurídico do grupo Eugênio, Especialista em direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Faculdade Damásio de Jesus, Pós graduado em Direito Constitucional e administrativo pela Escola Superior de Advocacia do PI, Especialista em Direito Internacional pela UNIAMERICA, pós-graduado em Direito Penal e Processo Penal pela ESA-PI, graduando em advocacia trabalhista e previdenciária pela ESA-MA