
Em um momento marcante da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que debatia a “ADPF das Favelas” – ação que busca soluções para a violência policial no Rio de Janeiro –, o ministro Flávio Dino proferiu uma contundente declaração que reverberou no plenário, sendo recebida com aplausos. O magistrado confrontou a visão equivocada de que a criminalidade organizada se concentra nas áreas periféricas da cidade, asseverando que seu verdadeiro núcleo de poder e movimentação financeira reside nas regiões mais ricas e urbanizadas, o chamado “asfalto”.
Ao comentar as investigações em curso que visam desmantelar as intrincadas redes de financiamento do crime e a atuação das milícias no estado, Dino expôs as falhas na forma como a opinião pública frequentemente enxerga essa complexa questão. Segundo o ministro, a persistente ideia de que o crime organizado tem como seu principal reduto os bairros populares, os morros e as periferias do Rio de Janeiro não corresponde à realidade dos fatos apurados pelas autoridades competentes.
De acordo com a análise de Dino, é nas áreas nobres e centrais da cidade, representadas pela expressão “asfalto”, que se encontram os verdadeiros centros de decisão e os fluxos financeiros que sustentam as atividades criminosas. Essas regiões, conforme o ministro, concentram tanto a origem dos recursos ilícitos quanto os sofisticados mecanismos de lavagem de dinheiro, essenciais para a perpetuação do poder das organizações criminosas.
O ministro também manifestou seu apoio às investigações que buscam desarticular essas estruturas de poder, enfatizando que o combate eficaz ao crime organizado demanda inteligência estratégica e métodos investigativos apurados, em contraposição a ações policiais desordenadas e sem foco. Dino defendeu que a segurança pública deve ser pautada pela ciência e pelo método, reservando o uso da força legítima do Estado para momentos específicos e com embasamento técnico.
Em outro ponto de sua fala, Dino reforçou a necessidade de uma abordagem multifacetada para a segurança pública, que não se limite à atuação policial, mas que também não a exclua. O ministro defendeu a importância de uma ação coordenada e integrada, envolvendo diversos setores da sociedade e do poder público, para enfrentar de forma efetiva a complexa problemática da criminalidade.